Pelo fio da navalha

Em termos de emoções econômicas, o ano de 1999 está se saindo muito melhor do que a encomenda. Depois das difíceis, embora surpreendentemente rápidas para os padrões estabelecidos, negociações com o FMI e o G-7 (que preencheram o vazio político entre o final das eleições e a posse do presidente reeleito), o ano iniciou quentíssimo com o rastilho de pólvora displicentemente aceso por Itamar Franco. Queda de Gustavo Franco, o guru da âncora cambial; tentativa de desvalorização controlada do real, com o frustrado alargamento da banda promovido pelo novo presidente do Banco Central; flutuação do câmbio, imposta pelo mercado no dia seguinte; euforia da bolsa de valores, com a maior alta do Plano Real; nervosismo no mercado de câmbio, com a moeda norte-americana fechando sua primeira semana livre com uma valorização acumulada no ano de 99 em torno de 40%; forte incerteza quanto ao futuro.

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… E o câmbio flutuou

O caldo já estava pelas bordas, quando chega Itamar Franco (o "Forrest Gump" mineiro, na expressão do jornalista Luiz Nassif) e com sua já lendária inconseqüência anuncia uma impronunciável moratória que entorna tudo. Resultado: o Brasil assume, de fato, a posição de "bola da vez" da crise financeira internacional e sofre o quarto e mais agudo ataque especulativo às suas reservas desde a quebra do México, em dezembro de 94.No espaço de três dias, em meio à substituição do seu presidente, demissão e readmissão do diretor de fiscalização, o Banco Central muda a política cambial duas vezes e, com isso, coloca por água abaixo o mais renitente dos instrumentos de controle do Plano Real: a chamada âncora cambial.

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Para que um consultor?

A Exame de 2 de dezembro passado, do alto de sua autoridade de revista de negócios mais lida do país, publicou, como reportagem de capa, a matéria intitulada Quem Precisa de Consultor?, alertando: "não contrate um sem ler antes o que temos a dizer a respeito." Pela importância do assunto e pelo fato de ter sido objeto de comentários de vários leitores do Conjuntura & Tendências, vale a pena fazer algumas considerações sobre a questão.

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34 ministros é demais

O presidente Fernando Henrique Cardoso toma posse do seu segundo mandato, em condições completamente diferentes daquelas de quatro anos atrás, anunciando que não foi eleito para ser "o gerente da crise" mas para superá-la. A realidade, todavia, é que assume bastante fragilizado politicamente devido à delicada situação econômica em que o país mergulhou, depois que a "aposta" da equipe econômica (financiar a "estabilização" com capitais externos abundantes) foi "abalroada" de frente pela "descarrilamento" da Rússia, em agosto passado. Para que não fique, de fato, restrito apenas à gerência da crise, não pode abrir mão de ser um bom gerente do seu governo.

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