China: oportunidade comercial econsiderável risco político a médio prazo
Sucesso absoluto. Foi deste modo que foi classificado pela imprensa nacional o resultado da mais recente viagem internacional do presidente Lula à China continental.
Sucesso absoluto. Foi deste modo que foi classificado pela imprensa nacional o resultado da mais recente viagem internacional do presidente Lula à China continental.
Dizia-se que durante o governo Fernando Henrique Cardoso, as crises que entravam no Palácio do Planalto saíam menores. No governo Lula, acontece, justamente, o inverso: as crises saem bem maiores do que entram.
Na semana passada foram divulgados os números que evidenciam o empobrecimento do país em razão da falta de crescimento econômico dos últimos anos: o PIB do Brasil, medido em dólar, caiu da décima segunda para a décima quinta posição no ranking internacional.
Conforme foi comentado no Gestão Hoje da semana passada (número 475), é muito árdua a luta pela sobrevivência empresarial no Brasil em razão, principalmente, da elevadíssima carga tributária (próxima de 40% do PIB, uma das maiores do mundo) e a maior taxa básica de juros do planeta.
Esse pequeno caso verídico chama a atenção para um aspecto cruel da nossa realidade econômica e social: o avanço inexorável da informalidade (e de sua irmã gêmea, da pesada, a contravenção) como esdrúxula forma de "proteção" contra os custos exorbitantes da atividade produtiva formal.
O clima de otimismo exagerado com os rumos da economia que parte da mídia nacional, incentivada por fontes oficiais, dentre as quais o próprio presidente da República, transmitia desde o final do ano passado, sofreu um abalo importante nos últimos dias.
Não há nenhuma dúvida de que uma janela de oportunidade para o crescimento econômico se abrirá em 2004. Dez entre dez analistas, dos mais sérios aos sempre presentes palpiteiros, confirmam isso. Mesmo porque, a base de comparação (2003) é muito fraca. As últimas previsões falam em crescimento de 0,2%. Ou seja, zero ou, até mesmo com um pouco de azar, negativo.
Para diminuir a vulnerabilidade externa e evitar ficar refém da anunciada alta dos juros dos EUA, a economia brasileira precisa...
Não, o pior não passou ainda. Apesar da grande melhora dos indicadores macroeconômicos brasileiros em 2003, a vulnerabilidade externa do país continua grande. Por si só, essa fragilidade torna temerária a crença de que o caminho do crescimento está todo livre em 2004.
Mesmo antes de assumir o governo, o staff do candidato eleito Lula sabia que a sobrevivência política do primeiro governo federal do PT estava intimamente relacionada à vitória sobre a inflação em 2003.