Reflexões sobre guerra e paz

Na semana passada eclodiu o mais sério conflito entre israelenses e palestinos desde 1993, quando foi assinado o acordo de Oslo, ocasião em que Israel e OLP se reconheceram mutuamente e estabeleceram um cronograma para construção de uma solução pacífica para a milenar disputa territorial. Muitos avanços foram feitos até que as negociações esbarraram na jurisdição de Jerusalém, cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos e reivindicada como capital tanto pelos israelenses quanto pelos palestinos. A disputa pela cidade é um emblema da luta entre os dois povos: não estão dispostos a repartir, pelo contrário, reivindicam a mesma terra, a mesma pedra. Acrescentem-se a isso os radicalismos de parte a parte e têm-se a receita certa para a tragédia.

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Complexo de inferioridade

A propósito da mais recente viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso, semana passada à Alemanha, ainda sob o impacto do mau desempenho do país nas Olimpíadas de Sidney, vale uma reflexão sobre a dificuldade que temos de acreditar, de verdade, na importância que o Brasil tem no mundo. Os sentimentos são sempre extremados: se ganhamos uma competição esportiva importante (uma Copa do Mundo, por exemplo), explode-se em ufanismo mas, no dia-a-dia, predomina a galhofa. O repórter e colunista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi, que acompanhou a viagem presidencial à Alemanha, tratou do assunto de forma tão precisa que vale a pena reproduzir:

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A ameaça do petróleo

Na semana passada, o preço do barril de petróleo no mercado internacional, acompanhando uma tendência de instabilidade de semanas anteriores, oscilou chegando a US$ 37,20 (a cotação mais alta desde a Guerra do Golfo em 1990) e fechando, na sexta-feira 22.09.2000, em US$ 32,68, depois que os EUA, em plena campanha eleitoral, anunciaram que iriam utilizar sua reserva estratégica do produto para forçar a baixa dos preços. O preço do barril, considerado adequado pelos analistas, é US$ 26,00.

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Aqui ninguém trabalha, não?

É comum ouvir-se essa pergunta após o recebimento da resposta: "está em reunião." A lógica é simples: se a pessoa procurada está em reunião é porque não está trabalhando. Pior: não só não está trabalhando como gastando inutilmente o seu tempo e o de outras pessoas. Isso porque, culturalmente, reunião é associada a perda de tempo. Como se a reunião de trabalho, bem executada é claro, não fosse, por sinal, uma das mais eficazes formas de administração do tempo gerencial. Basta um pequeno auxílio da teoria da comunicação para ilustrar.

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A pessoa ética no lugar certo

No número anterior, por engano, Roland Barthes, autor da frase "profissional de talento é aquele que soma 2 pontos de esforço, 3 pontos de talento e 5 pontos de caráter", foi qualificado como sociólogo francês. Barthes (1915-1980), na verdade, foi crítico literário e semiólogo, autor de livros como "O Sistema da Moda", "O Prazer do Texto" e "Mitologias." Formado em Letras Clássicas pela Sorbonne, exerceu forte influência sobre intelectuais de várias partes do mundo, tendo sido diretor da Escola Prática de Altos Estudos, da Universidade de Paris e pertencido ao Colégio de França, instituto que reúne os mais renomados sábios daquele país.

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Pessoa certa no lugar certo

Embora a expressão seja um lugar comum, uma das coisas mais difíceis da gestão contemporânea é fazer com que a pessoa certa ocupe o lugar certo nas equipes de trabalho e nas organizações. O que vemos com muita freqüência é, justamente, o oposto: ou a pessoa errada no lugar certo ou a pessoa certa no lugar errado.

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A volta do crescimento

A divulgação recente de dois indicadores conjunturais não parece deixar dúvidas: a economia brasileira está no meio de um ciclo de crescimento. No primeiro semestre de 2000 a indústria operou o mais alto nível de produção dos últimos 25 anos (com crescimento acumulado em 12 meses, segundo o IBGE, de 4,2%). Nesse mesmo período do ano, o crescimento total do PIB foi de 3,84%, a terceira maior alta da década. Outra peculiaridade: o crescimento trimestral do PIB foi o sexto consecutivo desde janeiro de 99, mês da desvalorização cambial.

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Pensar global ou local?

No ano passado a marca Coca-Cola, a mais valiosa do mundo, estava estimada em US$ 83,8 bilhões. Este ano, segundo pesquisa da Interbrand divulgada em julho, sofreu uma desvalorização de 13%, passando a valer US$ 72,5 bilhões. Com esse decréscimo, apesar de continuar em primeiro lugar, a Coca-Cola encosta na marca Microsoft, estimada em US$ 70,2 bilhões (um acréscimo de quase 25% em relação à estimativa anterior, apesar do processo que sofre nos EUA por práticas monopolistas).

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