Requisitos indispensáveisàs mudanças empresariais necessárias

 
Philip Kotler, o famoso guru dos gurus do Marketing, um dos raros sujeitos que conseguem aliar profundidade, seriedade e competência no tratamento do assunto, já teve a oportunidade de ser taxativo em relação à necessidade das mudanças nas empresas:

“Existem dois tipos de empresa: as que mudam e as que desaparecem.â€?

Philip Kotler, consultor e escritor norte-americano

Essa necessidade se dá não por modismo ou qualquer motivo fútil, mas por uma questão de sobrevivência. Afinal, tudo à volta da organização está constantemente mudando, o que requer, sobretudo, capacidade de adaptação, como observam com muita propriedade, James Collins & Jerry Porras, autores do bom livro “Feitas para Durar – Práticas Bem Sucedidas de Empresas Visionárias”.

“…todos os produtos, serviços e grandes idéias, não importa o quão visionários sejam, um dia se tornam obsoletos. Mas uma empresa (…) não se torna necessariamente obsoleta, não se tiver a capacidade organizacional para mudar constantemente e evoluir além dos ciclos de vida dos produtos existentes.â€?

James Collins & Jerry Porras,

No Gestão Hoje anterior (número 430) foi destacado o fato de que as mudanças empresariais necessárias não devem ficar na dependência, como alguns imprudentemente advogam, das mudanças individuais porque a empresa pode, simplesmente, desaparecer antes que seja contabilizada a primeira mudança pessoal. As mudanças pessoais são muito lentas e difíceis.
Do ponto de vista empresarial, há que não ficar paralisado e avançar nas mudanças considerando que existem alguns requisitos para que elas aconteçam: (1) tem que estar clara a ameaça a que a empresa está exposta; (2) deve destacar-se uma liderança completamente engajada; (3) deve haver ou ser esboçado um projeto de mudança consistente; e (4) tem que existir ou ser criado um grupo que possa se constituir no principal dispositivo de mobilização e avanço.
É importante que a ameaça esteja completamente clara porque é impossível mudar se não se tem uma mínima visão dos custos de se permanecer onde está. Além do que, as pessoas tendem a negar as dificuldades, mesmo quando a vêem, na vã esperança de que, quando abrirem os olhos, elas terão desaparecido.
A liderança atuante é indispensável para a mudança porque sem ela não há referência para que as pessoas se mobilizem.

“…os líderes precisam também mudar, continuar a reinventar a si próprios. Líderes têm de estar prontos a adaptar, mudar, esquecer, perdoar. Têm de estruturar novos papéis e novos relacionamentos para eles próprios, para sua equipe…â€?

Tom Peters, consultor norte-americano

Além da ameaça claramente percebida e de uma liderança engajada, é imprescindível a existência de um projeto de mudança minimamente consistente, sem o qual a vontade não encontra rumo definido e o ímpeto de mudar pode ser arrefecido pela indefinição.
Por último mas não menos importante, é essencial para que as mudanças necessárias aconteçam e possam ser implantadas, que haja um grupo engajado e atuante. Sem ele, todo esforço será desperdiçado e as mudanças não encontrarão caminho por onde seguir.
Atendidos esses requisitos, com determinação, competência e constância, as chances de sucesso são grandes. Com a mudança em curso, então, as pessoas tendem a se adaptar aos novos rumos e, algumas até, a reverem suas posições e dar início a mudanças pessoais. O que não se deve esperar, nunca, é pelo inverso.