Um presidente fragilizado

Num país de tradição patriarcal como o Brasil, a figura do presidente da República tem uma importância por certo muito maior do que em outras nações com tradição democrática mais consolidada. O regime presidencialista (onde o presidente acumula as responsabilidades de chefe de estado e chefe de governo) reforça ainda mais esse aspecto. Uma pequena provocação: quem sabe o nome do presidente da Itália? Ou da Alemanha? Ou de Israel? Não é por acaso que quando comparamos uma fotografia dos presidentes brasileiros no início com outra no final do mandato vemos como foi severa a ação do tempo: fisionomia abatida, cabelos muito mais brancos, rugas bem mais profundas... Não deve ser fácil acumular tanta responsabilidade (e tantas expectativas), por mais preparado ou estimulado que esteja o ocupante do exigente cargo. Com um agravante: presidente no Brasil não consegue tirar férias, no máximo imprensa uns feriados numa praia cheia de fotógrafos...

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Distância suficientemente boa

Tancredo Neves foi um político emblemático da segunda metade do nosso século. Ministro de Justiça do presidente Getúlio Vargas, recebeu das mãos dele, momentos antes do mais rumoroso suicídio da história republicana, a caneta com a qual teria sido assinada a famosa carta-testamento. Parlamentar destacado, governador de Minas Gerais, presidente eleito, Tancredo, adoecendo na véspera da posse, morreu sem realizar o sonho para o qual se preparou a vida inteira. Todavia, deixou um legado político que inclui diversas histórias, observações sagazes e frases que lhes são atribuídas, dentre elas a seguinte:

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Quem não quer ser freguês?

A palavra está desgastada porque historicamente foi substituída por cliente. Mas o que conta é o espírito dela. Freguês era aquela pessoa conhecida pelo padeiro, merceeiro, açougueiro, verdureiro, farmacêutico etc. Todos sabiam seu nome, seus hábitos de consumo, concediam-lhe crédito sem qualquer exigência burocrática, perguntavam pela família, faziam sugestões, opinavam. Em suma, alguém que existia fisicamente e era reconhecido em sua singularidade. Era um integrante da freguesia (coletivo de freguês mas, também, paróquia, circunscrição territorial, proximidade...).

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Cronicamente inviável?

Há um filme brasileiro recentemente lançado com este título: "Cronicamente Inviável." É do cineasta paranaense, radicado em São Paulo, Sérgio Bianchi. A força da película está, segundo Fernando de Barros e Silva, editor do "Painel" da Folha de S.Paulo (na edição de 13.07.2000), na "abordagem antropológica que faz do Brasil, como se nos dissesse que somos uma ’sociedade de índios’, que sobrevive e se reproduz idêntica a si mesma há 500 anos, não apesar, mas justamente por ser cronicamente inviável (...) sua história é circular - ou gaguejante - e o progresso nela se faz à custa do atraso, que reproduz indefinidamente, deixando intacta a desigualdade social, o tema do filme."

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É comum dizer que a competição acirrada causa estresse. Associando as atividades empresariais à imagem da guerra ("marketing de guerra", "estratégias de guerra", "a arte da guerra para executivos", etc), a idéia se reforça com a imagem de que competir é estar numa "luta de vida ou morte".

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Bom técnico , bom gerente?

As pesquisas e a observação da realidade das empresas evidenciam a seguinte situação: a grande maioria das pessoas que ocupam função gerencial (diretores, gerentes, chefes, supervisores etc.) chegou a essa condição como resultado do bom desempenho na carreira técnica. Como uma espécie de "prêmio" por ter sido um bom técnico.

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Gestão por unidades de negócios

Hoje em dia, cada vez mais, a gestão empresarial conseqüente requer domínio do conjunto e, ao mesmo tempo, autonomia das partes constituintes da empresa. Domínio do conjunto para permitir funcionamento integrado, economia de escala, rumos estratégicos convergentes, unidade de propósitos etc. Autonomia das partes para permitir maior velocidade nas decisões, uso criterioso dos recursos, responsabilidade dos gestores e "pontaria" mais precisa para atingir os alvos de mercado.

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Um país amedrontado

A transmissão ao vivo para todo o Brasil do estúpido seqüestro de um ônibus no Rio de Janeiro que culminou com a morte da refém inocente e do seqüestrador culpado expõe toda a dramaticidade do estado de insegurança em que vive o país e coloca questões importantíssimas para reflexão.

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A internet será commodity

De modo semelhante à qualidade (total) que, anos atrás quando apareceu, foi como uma febre contaminando tudo, a Internet veio para incorporar-se à vida empresarial de forma irremediável. Hoje, a qualidade passou a fazer parte do produto ou serviço e virou uma espécie de commodity da gestão, deixando de ser o fator diferenciador que era no início (ver C&T 259 sobre o tema). Nem mesmo os certificados ISO fazem mais a diferença que faziam. Hoje em dia, é quase uma obrigação. Guardadas as devidas proporções, o mesmo deve acontecer com a Internet. Ela vai virar também uma commodity da gestão e não se poderá falar em empresa separada da Internet (de um modo geral, todas as empresas serão, de uma forma ou de outra, e-business).

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"Toda unanimidade é burra"

O genial dramaturgo brasileiro, pernambucano de nascimento, Nelson Rodrigues, gostava de frases retumbantes e controversas. Radicalizava para chamar a atenção. Todavia, como grande conhecedor que era da natureza humana, e da brasileira em particular, nenhuma frase sua pode ser descartada de princípio. Todas elas dão o que pensar, algumas ganham, até, o contorno de sentenças filosóficas. É o caso de "toda unanimidade é burra."

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